quinta-feira, 5 de março de 2026

Reflexões sobre a Sala de Aula de Psicologia

Reflexões: O Salão de Espelhos da Psicologia

Notas sobre a Sala de Aula

Sentar-se em uma sala de aula de Psicologia é, inevitavelmente, abrir mão da cegueira social. Onde outros cursos veem apenas um colega batendo o pé ritmicamente sob a mesa, nós vemos uma manifestação psicomotora de ansiedade em curso. Onde o leigo vê "alguém de gênio forte", nós identificamos uma rigidez cognitiva ou um mecanismo de defesa narcísico protegendo um ego fragilizado.

Há uma angústia na previsibilidade, uma solidão em perceber o "buraco" no outro. Identificar a repetição traumática na fala de um amigo de classe e saber que, mesmo com todo o conhecimento técnico, você não é o terapeuta dele. Você é apenas o par, assistindo ao desenrolar de uma tragédia anunciada em formato de comportamento cotidiano.

A grande ironia é que, enquanto você analisa a "sombra" do colega, ele provavelmente está fazendo o mesmo com você. A sala de aula de psicologia é um organismo vivo onde quarenta pessoas tentam desesperadamente não parecer "o caso clínico da vez".

Identificar o "problema" no outro é, muitas vezes, o nosso primeiro estágio de negação antes de perceber que o conceito que o professor explica no quadro está, na verdade, descrevendo a nós mesmos. Olhamos para o coleguinha e prevemos sua crise de identidade, seu luto não elaborado ou sua rigidez cognitiva, como se estivéssemos em uma torre de vigia.

Mas, no fundo, a sala de aula é um salão de espelhos: a gente só consegue identificar no outro a poeira que já conhecemos debaixo do nosso próprio tapete.

Matheus Belchior

Análise do Cotidiano Acadêmico

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Reflexões sobre Grande Sertão Veredas

A Travessia de Riobaldo: Uma Análise Psicológica

Reflexões sobre Grande Sertão Veredas

A travessia de Riobaldo é a grande metáfora do espírito humano, um mergulho em um labirinto onde as fronteiras entre o eu e o mundo se dissolvem na poeira do sertão. Quando ele afirma que o viver é muito perigoso, ele não se refere ao risco da bala ou da faca, mas à vertigem da liberdade e ao sensação insuportável de ter que escolher quem se é em um mundo que não oferece garantias.

O sertão de Guimarães Rosa funciona como um cenário de experimentação psicológica, um campo aberto onde as convenções sociais colapsam e o homem se vê diante do "Cujo" — que nada mais é do que a personificação de suas próprias sombras, desejos inconfessáveis e o medo do vazio. Ao buscar o pacto nas Veredas Mortas, Riobaldo tenta, na verdade, uma transação cognitiva: ele quer trocar a angústia da dúvida pela certeza da condenação, até o inferno parece mais seguro do que a incerteza de uma vida sem rédeas.

No entanto, o silêncio do diabo é a sua resposta mais devastadora e libertadora, pois devolve a Riobaldo a toda responsabilidade por sua existência. Esse isolamento existencial mostra que o demônio não é uma entidade externa que habita as grutas, mas uma potencialidade da arquitetura humana, uma fiação complexa do nosso psiquismo que nos torna capazes tanto da maior ternura quanto da mais absoluta barbárie.

Diadorim aparece como um grande enigma afetivo, uma presença que desafia as categorias rígidas de gênero e desejo, forçando Riobaldo a confrontar uma beleza que dói e uma identidade que ele só consegue decifrar quando o tempo da possibilidade já se esgotou. A revelação final sobre Diadorim é o choque da realidade sobre a projeção, o momento em que o luto se funde com a percepção de que o amor é a única vereda que realmente importa, ainda que seja a mais difícil de seguir.

Assim, o pensamento final fica na compreensão de que somos todos jagunços de nossa própria história, lutando batalhas internas em um território que muda de forma conforme avançamos. O real não se entrega no início nem no fim da jornada, se manifesta no fluxo contínuo da travessia, nesse espaço entre o que fomos e o que pretendemos ser.

Somos seres em constante estado de "luscofusco", habitando a zona cinzenta entre a luz da razão e a treva do instinto. A lição de Rosa é que não existe um destino geográfico para a paz ou para a verdade; o que existe é a coragem de sustentar o olhar diante do espelho da própria consciência e aceitar que, embora o sertão seja vasto e perigoso, a única bússola confiável é a integridade do homem humano que decide, apesar de todos os problemas, continuar caminhando.

Matheus Belchior

Reflexões sobre Grande Sertão: Veredas

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Bolha dos Retiros

O retiro funciona como um parêntese na realidade. É o momento em que o fiel se retira do mundo para, teoricamente, encontrar a Deus, mas muitas vezes acaba encontrando apenas um espelho distorcido.

O retiro moderno exige o registro. A "paz que excede todo o entendimento" precisa ser postada com uma legenda bíblica, servindo mais para validar a imagem de "pessoa de luz" perante os outros do que para transformar a conduta sombria no cotidiano.

O ambiente isolado permite que o indivíduo sinta que "zerou o jogo". Ele chora, abraça desconhecidos e professa amor universal, mas esse amor raramente sobrevive à primeira fechada no trânsito ou ao atraso de um funcionário na segunda-feira.

Na teologia, fala-se em metanoia (mudança de mente/direção).
No retiro hipócrita, pratica-se apenas a catarse.

Se eu chorei durante a adoração, eu me sinto "limpo". A intensidade do sentimento é confundida com a profundidade do caráter. O fiel acredita que, por ter tido uma experiência emocional forte, ele automaticamente se tornou uma pessoa ética, ignorando que a ética é um exercício racional e constante, não um surto de choro.

A hipocrisia se manifesta no "pós-retiro". É o fenômeno do fiel que volta "cheio do Espírito Santo", mas continua sendo o mesmo indivíduo que sonega impostos, maltrata quem o serve ou propaga fofocas destrutivas na paróquia.

O retiro vira uma licença poética para continuar errando, sob o pretexto de que "sou humano e busco a Deus". Dentro do retiro, todos são "irmãos". Fora dele, a hierarquia social e o preconceito de classe operam a todo vapor.

O retiro cria uma simulação de Reino dos Céus onde a ética é fácil porque não há conflito de interesses. A verdadeira ética, no entanto, só se prova no deserto do mundo real, onde não há violão tocando ao fundo e o "outro" não é um irmão de fé, mas alguém que pensa diferente de você.

A falsa ideia de pecado nos retiros foca muito nas "tentações da carne" ou em falhas individuais menores, enquanto a omissão ética — o silêncio diante da injustiça, a arrogância religiosa e a falta de empatia real — é varrida para baixo do tapete do altar.

O retiro acaba sendo, muitas vezes, o lugar onde a hipocrisia é recarregada para aguentar mais um ano de aparências. É a manutenção preventiva de uma máscara que insiste em não cair, mas que não engana quem observa a vida fora da sacristia.

Matheus Belchior

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Filho pobre nem mãe gosta!

O Peso da Escassez nos Afetos

Filho pobre nem mãe gosta!

Sentença cruel

O amor, para quem vive no limite, muitas vezes deixa de ser um "sentimento" para se tornar uma "logística". Quando a pobreza entra pela porta, ela traz consigo o cansaço crônico. A mãe que "não gosta" do filho pobre, muitas vezes, é a mãe que está exausta de ver o próprio reflexo no fracasso financeiro do filho. É o medo de que o ciclo não se quebre.

A frustração espelhada

Para muitos pais, o sucesso do filho é a validação de que o sacrifício deles valeu a pena. Quando o filho continua "pobre", ele se torna uma luta que parece não ter fim.

O amor que vira cobrança

O carinho é substituído pela pergunta: "E o emprego?", "E as contas?". A relação se torna transacional porque a vida exige que ela seja.

A Psicologia do Desencanto

Olhando pelo viés da psicologia, existe uma ferida narcísica aí. O filho é, muitas vezes, a extensão dos sonhos dos pais. Quando esse filho não alcança o status esperado, ocorre um luto simbólico. A "falta de gosto" da mãe não é pelo filho em si, mas pela vida dura que ele representa. É mais fácil se afastar ou ser ríspido do que encarar a dor de não poder prover ou a angústia de ver quem amamos passando aperto.

"A pobreza tem essa capacidade de tornar as relações ásperas. Onde deveria haver um abraço, sobra a preocupação com o preço do gás. O afeto vira artigo de luxo que o cansaço não deixa consumir."

O Contraponto

Mas a verdade é que essa frase é uma meia-verdade amarga. Mãe gosta, sim. O problema é que o amor na escassez é um amor com espinhos. Ele fura, ele machuca, ele reclama. É um amor que não tem tempo para ser poético porque está ocupado demais tentando ser funcional.

Talvez o "nem mãe gosta" seja apenas o jeito cínico que a sociedade encontrou para dizer que a pobreza isola as pessoas, criando muros até dentro de casa.

Matheus Belchior

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Faroeste Caboclo

Análise: Faroeste Caboclo

Faroeste Caboclo: A Crônica de um Destino Traçado

Diferente das baladas românticas da época, a história de João é a crônica de um destino traçado pela inevitabilidade. Ele nasce no sertão, vê o sangue da família e carrega consigo uma "vontade de mudar".

O que torna a história potente é que João não é um herói imaculado. Ele é humano, falho e desesperado. Ele tenta a sorte, cai no crime, apaixona-se por Maria Lúcia e busca uma redenção que a sociedade lhe nega sistematicamente. O "Faroeste" do título não é sobre cowboys americanos, mas sobre a fronteira da lei em um Brasil que ainda estava aprendendo a ser moderno.


A Crítica Feroz ao Contraste Brasileiro

Faroeste Caboclo despeja uma crítica feroz ao contraste brasileiro. Brasília aparece como a "Prometida", mas se revela um palco de desigualdade:

  • O preconceito de classe: João é o "boia-fria", o "estranho", aquele que não pertence aos salões de Maria Lúcia.
  • A corrupção do sistema: A figura de Jeremias, o traficante influente, mostra como o crime se organiza sob os olhos (ou com a ajuda) do Estado.
  • A hipocrisia: A sociedade que consome a droga é a mesma que condena o traficante.

A Estrutura Musical como Metrônomo Emocional

A melodia começa arrastada, quase como um lamento. É o ritmo do cansaço, da viagem de ônibus, do sertão que ficou para trás. Conforme João entra no mundo do crime e conhece Jeremias, o andamento começa a ganhar corpo.

Quando a música chega ao duelo final, a banda atinge um frenesi. A voz de Renato altera-se, as palavras se atropelam para dar conta de toda a tragédia. O desacelerar final, quando se anuncia que "o povo declarou que João de Santo Cristo era santo", traz um tom melancólico.

Conclusão: Faroeste Caboclo me faz lembrar que no Brasil, a linha entre a santidade e a marginalidade é tênue, desenhada pela falta de oportunidades e apagada pelo sangue em um terreno baldio.

Matheus Belchior

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O mundo vai acabar - Histórias que minha mãe conta!

O Mundo Acabou? - Crônica

O Mundo Acabou?

Uma breve reflexão sobre a infância e o movimento do céu.

Ilustração da história: Nuvens em movimento

Era uma tarde, havia um estalar da madeira da varanda e o ranger rítmico dos ganchos da rede onde a pequena Rosa se balançava. Com os pés descalços tocando o chão de terra batida de vez em quando, mantinha um movimento lento, hipnotizada pela calmaria do interior.

Rosa decidiu deitar-se atravessada na rede, deixando a cabeça pendendo levemente para trás. Foi nesse momento que seus olhos se fixaram no imenso azul acima do telhado de telhas de barro. As nuvens que eram apenas brancos tufos de algodão estáticos impulsionadas por uma corrente de ar forte começaram a se mover, elas cruzavam o céu com uma velocidade incomum, como se estivessem com pressa de chegar a algum lugar.

Para os olhos de uma criança que sempre viu o mundo como algo sólido e parado, aquela visão foi aterradora. Ela viu o teto do mundo se desmanchando. A sensação de tontura do balanço da rede misturou-se à velocidade das nuvens, e a menina teve a nítida impressão de que a terra sob seus pés estava perdendo o freio.

O desespero subiu pela garganta. Rosa saltou da rede de uma vez, tropeçando nos próprios pés.

— Mãe! Mãe! — gritou ela, a voz fina rasgando o silêncio da fazenda enquanto corria em direção à cozinha, onde o cheiro de café passado começava a exalar.

Dona Conceição apareceu na porta, limpando as mãos no avental, assustada com o alvoroço. Antes que pudesse perguntar o que houve, a menina a agarrou pelas saias, apontando freneticamente para o alto com o rosto pálido.

— Mãe, corre! O mundo vai acabar! Olha lá, mãe, o céu tá fugindo! O mundo esta acabando!

A mãe olhou para cima, viu a correria das nuvens branquinhas contra o azul firme e soltou uma risada farta, daquelas que acalmam o coração. Pegou a filha no colo, sentou-se no degrau da escada e explicou que o mundo não estava acabando, e que as nuvens, assim como ela, às vezes também gostavam de apostar corrida.

Histórias que minha mãe conta - Matheus Belchior

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Djalminha

Djalminha

20:14, terça-feira. Chuva fina cortando a néon suja do centro expandido. O ar cheira a óxido, plástico queimado e aquele adocicado falso de ração industrial sabe, aquela merda que vendem em latas amarelas com promessa de "proteína sintética completa". Aqui embaixo, entre os becos-canal do antigo Brás rebaixado pelo colapso hídrico de 2026, a cidade despenca feito lixo rolado. Eu caminho com o saco nas costas e o olhar no chão. Meu nome? Ninguém pergunta mais. Antes era Djalma, Djalminha pra família, mas isso foi há tanto tempo que parece mentira.

Hoje sou só mais um fantasma com luvas furadas e um scanner manual que pisca vermelho quando detecta metal raro na lama urbana.

Tenho 47 anos ou será 48? Perdi a conta no apagão geral do Estado Livre Paulista lá em 2029... quando os drones pararam por três dias seguidos e o tempo virou areia movediça sem relógio nem calendário digital funcionando. Marquei as semanas nos tijolos perto da minha caixa-d'água abandonada com caneta permanente até conseguir recarregar meu chip retinal (aquele modelo barato da BioSul®). Então sim: tenho quase cinquenta implantes nesse motor cansado chamado corpo.

Mas corpo não é palavra certa. Corpo sugere unidade, saúde... integridade orgânica ou algo assim poético dos livros proibidos da Biblioteca Vertical lá no topo do Edifício Itália reformulado para elite cognitiva blindada contra poluição mental e física.

Eu não tenho corpo tenho sobra: perna esquerda ortopédica pós-acidente na Usina Petroquímica Mauá (onde trabalhei dois anos antes de ser demitido por “excesso biológico incompatível”), costelas mal soldadas desde uma briga com segurança privada por uma mochila cheia de cobres velhos… Meus olhos: esquerdo natural (cinza-pó), direito implantável comprado numa troca ilegal depois que um pedaço de painel solar com bateria acoplada explodiu perto do meu rosto durante um saque regulatório fracassado pela corporação EnergNet™.

O implante me dá visão térmica limitada até cinco metros e acesso à rede marginal quando passo perto dos repetidores piratas alimentados à base de energia solar artesanal montada nos telhados das torres-favelas inclinadas sobre as ruínas das estações antigas da CPTM desativadas.

Mas ele falha muito. Às vezes vejo sombras onde não tem nada... outras vezes enxergo tão bem quanto qualquer humano padrão o problema é saber demais o que estou vendo: pessoas dormindo em caixotes térmicos; crianças injetando dopamina caseira pra aguentar frio; mães rezando pra santos digitais carregados em pen-drives envelhecidos...

E eu ando nisso tudo como se fosse parte da paisagem urbana descartável porque sou mesmo.

Meu uniforme diário? Jaqueta preta sem marca remendada dez vezes nas axilas onde o suor corrói tudo; calça industrial resistente ao ácido fraco (óbvio); botina pesada encardida só mantida por tirantes improvisados porque os zíperes morreram há tempos; máscara facial simples tipo FFP3 originalmente azul-clara mas agora marrom-terra pelo acúmulo contínuo de fuligem atmosférica constante mesmo após leis ambientais fictícias criadas pelos governistas-fantasmas eleito pelos papéis “mais fáceis de fraudar” nas urnas em todo ciclo quadrienal…

Não uso nanotecnologia regenerativa claro isso custa créditos sociais ou conexões políticas… duas coisas que sumiram junto com meu registro civil oficial depois da fusão entre Prefeitura Autônoma Metropolitana Sul/Sudeste-Paulista + corporações multinacionais responsáveis pela Zona Urbano-Ecológica Monitorável Classe Ouro - ZUMEC-O™©

Ah… política! Como posso pensar nisso hoje?

Pensei muito antes… fui ativista anônimo nos coletivos subversivos anônimos na internet profunda antes do governo-fantasma bloquear todo protocolo de navegação, fiz parte das manifestações anti-ZUMEC-O antes da polícia rodoviária paulista dispersar tudo com drones-bombas, mas agora tenho coisas maiores pra pensar: como vou sobreviver até amanhã?

Matheus Belchior

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Devaneio do Viver

Viver exige ruptura, exige consciência. Não é abandonar as responsabilidades, mas a si mesmo — ou melhor, àquela imagem estática que insistimos em carregar no espelho.

Viver é esse exercício constante de despedida. É abraçar o dever sem se deixar definir por ele, e caminhar em direção ao desconhecido, sabendo que a única bagagem indispensável é a coragem de se reinventar a cada passo.

Somente quando nos esvaziamos das certezas sobre "quem somos", abrimos espaço para a experiência pura do "que estamos sendo".

Matheus Belchior

sábado, 20 de dezembro de 2025

Natal

Luzes piscam nas varandas, som de papéis que se rasgam e laços que se ajustam. As mesas se esticam, ganhando lugares extras e toalhas guardadas para momentos raros. O tempo parece desacelerar, onde o "depois" finalmente se torna "agora". Estranhos trocam sorrisos rápidos nas calçadas, parece que o estresse diminui.

É o ensaio de um abraço mais demorado, a celebração do que permanece quando o ano se despede. Não se diz o nome da data, mas sente-se uma esperança antiga: a de que, sob o brilho de uma estrela ou de uma lâmpada comum, ninguém precise caminhar sozinho!

— Matheus Belchior

domingo, 14 de dezembro de 2025

A Beleza de Viver no Ritmo da Calmaria Pós-Chuva

A chuva parou. O silêncio que segue o temporal não é um vazio. O ar está fresco, lavado, nesse momento de quietude pós-chuva, a beleza de viver se revela, não nos grandes eventos, mas nos pequenos acontecimentos ao nosso redor.

Olhe para as folhas, como elas estão cobertas por gotículas que parecem pequenos prismas, refletindo a pouca luz. Isso é a vida, temos a capacidade de reter a beleza, mesmo depois de ter sido atingida pela tempestade...

Aceitando o Ciclo

Os momentos de luta, de dor, são como o céu carregado, eles parecem vastos e intermináveis. A sombra define a luz. A dificuldade aprofunda a gratidão. Olhe para o chão molhado. Em breve, estará seco novamente, pronto para o próximo ciclo, e a vida é exatamente assim: uma sucessão de começos, com o verde sempre voltando. É uma obra de arte em movimento, e o privilégio é ser o artista e o observador ao mesmo tempo.

Matheus Belchior