quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Filho pobre nem mãe gosta!

O Peso da Escassez nos Afetos

Sentença cruel

O amor, para quem vive no limite, muitas vezes deixa de ser um "sentimento" para se tornar uma "logística". Quando a pobreza entra pela porta, ela traz consigo o cansaço crônico. A mãe que "não gosta" do filho pobre, muitas vezes, é a mãe que está exausta de ver o próprio reflexo no fracasso financeiro do filho. É o medo de que o ciclo não se quebre.

A frustração espelhada

Para muitos pais, o sucesso do filho é a validação de que o sacrifício deles valeu a pena. Quando o filho continua "pobre", ele se torna uma luta que parece não ter fim.

O amor que vira cobrança

O carinho é substituído pela pergunta: "E o emprego?", "E as contas?". A relação se torna transacional porque a vida exige que ela seja.

A Psicologia do Desencanto

Olhando pelo viés da psicologia, existe uma ferida narcísica aí. O filho é, muitas vezes, a extensão dos sonhos dos pais. Quando esse filho não alcança o status esperado, ocorre um luto simbólico. A "falta de gosto" da mãe não é pelo filho em si, mas pela vida dura que ele representa. É mais fácil se afastar ou ser ríspido do que encarar a dor de não poder prover ou a angústia de ver quem amamos passando aperto.

"A pobreza tem essa capacidade de tornar as relações ásperas. Onde deveria haver um abraço, sobra a preocupação com o preço do gás. O afeto vira artigo de luxo que o cansaço não deixa consumir."

O Contraponto

Mas a verdade é que essa frase é uma meia-verdade amarga. Mãe gosta, sim. O problema é que o amor na escassez é um amor com espinhos. Ele fura, ele machuca, ele reclama. É um amor que não tem tempo para ser poético porque está ocupado demais tentando ser funcional.

Talvez o "nem mãe gosta" seja apenas o jeito cínico que a sociedade encontrou para dizer que a pobreza isola as pessoas, criando muros até dentro de casa.

Matheus Belchior